
Nostalgia. Essa é a melhor palavra para definir a premiação da Academia de Artes Cinematográficas desse ano, o Oscar, que acontecerá próximo domingo, dia 26. Parece que o cinema sente falta dos gloriosos tempos dos ótimos filmes mudos em preto e branco. Até da para entender essa saudade de Hollywood pelo passado glorioso que ela tem, em virtude de alguns fracos e, às vezes péssimos filmes. É por isso que O Artista e A Invenção de Hugo Cabret são os líderes em indicações desse ano, não só pela sua qualidade, mais também pela homenagem a história do cinema que eles fazem. Desses dois, Hugo tem mais importância para nós por ele ter sido dirigido por um de nossos ídolos, Martin Scorsese.
A Invenção de Hugo Cabret se passa na década de 30 e acompanha um órfão, que vive escondido em uma estação de trem em Paris, cuidando dos relógios do lugar. Em umas dessas noites, o garoto se envolve em uma misteriosa aventura. Essa é a sinopse oficial, que não faz jus a qualidade do filme.O que não dar para entender é o título que foi dado ao filme aqui no Brasil (o título original é Hugo). Dar para perceber que a escolha do nome foi bastante errônea pelo fato de que Hugo não inventou nada. E esse é mais um episódio na péssima escolha de nomes para filmes dos distribuidores aqui no Brasil.
O filme começa bem e segue um rumo que só tende a melhorar. Logo no começo as homenagens ao cinema começam a aparecer, no momento em que surgem flash backs para nos contar a história de Hugo e como ele chegou até aquele ponto. A introdução para os flash backs é feita de modo a parecer um projetor de filme, com o barulho característico da película em exibição e a luz ao fundo, como se estivesse passando um filme na cabeça de Hugo, na melhor definição possível para esta expressão. E conforme o filme continua, percebe-se que Hugo começa a perder o lugar de personagem principal para dar espaço para os homenageados da história: Georges Méliès e o cinema. É incrível como a história de ambos são contadas para Hugo e para os expectadores, fazendo qualquer amante de cinema se arrepiar durante a exibição do filme. E é nesse momento que se tem a impressão que Méliès se torna o personagem principal fazendo de Hugo apenas mais um expectador, o que não diminuiu sua qualidade, só melhora.

O roteiro, adaptação do livro de mesmo nome do filme, escrito por Brian Selznick, é limpo e bem leve, explicando bem a história de Hugo, Méliès e o cinema. Os atores foram muito bem escolhidos, principalmente Asa Butterfield que desempenha bem seu papel de Hugo na tela. Ben Kingsley interpreta Georges Méliès, bem pra caramba por sinal. E quem dá show mesmo é Chloë Moretz. A eterna Rit Girl está muito bem no papel de Isabelle. De resto, todo mundo normal, sem incomodos. A parte mais emocionante do filme é quando a história de Méliès é contada, começando desde o início do cinema pelas mãos dos irmãos Lumière, inventores do cinematógrafo e considerado pais do cinema, passando por quando Méliès começou a fazer seus filmes e qual foi o final daquilo tudo. O 3D do filme está perfeito. Mesmo sendo o primeiro filme de Scorsese em três dimensões, ele mandou muito bem, fazendo valer o ingresso mais caro da sessão.
A Invenção de Hugo Cabret é um ótimo filme para aqueles que só querem ver uma boa história ou aqueles que querem ver um ótimo filme em 3D e é especialmente feito para todos os amantes de cinema. Nota: 9.7.








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