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09/08/2014

Dica Clássica: Os Imperdoáveis


   O Western (nós conhecemos como Faroeste) é um dos gêneros mais antigos do cinema.
Baseado nas histórias dos antepassados norte-americanos nos anos 1800 são milhares de filmes. Estes serviram até de inspiração para os cineastas na Europa, os inventores do cinema, que tentaram pegar uma carona no enorme sucesso dos filmes americanos. Nomes como o de John Wayne (um dos maiores atores de Westerns de todos os tempos) logo vem à memória de qualquer um fã do gênero. Mas quem fez uma obra prima no gênero foi Clint Eastwood, atuando e dirigindo Os Imperdoáveis.
   O filme conta a história de Bill Munny (Clint Eastwood), um pistoleiro aposentado que volta a ativa quando lhe oferecem 1000 dólares para matar os homens que cortaram o rosto de uma prostituta. Acompanhado por dois outros pistoleiros, eles precisam enfrentar não só o bando dos bandidos, como também a fúria de um Xerife (Gene Hackman) que não deseja tumulto em sua cidade.
   Atuando e dirigindo o filme, Clint Eastwood leva o realismo em primeiro lugar na sua direção. O filme começa com um pequeno resumo em texto contando como toda a história chega até ali. Isso mostra o descompromisso do longa com as partes boas das coisas. Vai direto ao ponto, mostrando de cara a "ferida aberta" do personagem principal. Esse tipo de abordagem é diferente de muitos Westerns feitos em outrora. E por se basear nesse tipo de abordagem, Eastwood mostra em os Imperdoáveis a realidade por trás das crueldades daquele tempo, onde nem sempre existem vilões e mocinhos e sim, seres humanos imperfeitos, capazes de cumprirem, sem se afetar, qualquer um dos papéis. O fato de relatar a vida verdadeiramente como ela era naquele tempo, separa Os Imperdoáveis daquelas aventuras fantásticas dos Westerns dos anos 40 e 50, ao mesmo tempo em que homenageia todo o seguimento recheando o filme de referencias. O escritor W.W. Beauchamp (interpretado por Saul Rubinek) que segue o assassino inglês (Richard Harris) é a maior referência ao gênero no filme, cumpre o papel do espectador, que está descobrindo com os seus próprios olhos como tudo realmente acontece. Os atores estão nas suas melhores formas, com Gene Hackman como destaque. O espectador por diversas vezes pode duvidar das atitudes do xerife como certo ou errado. Em um gênero acostumado a ver o mocinho como a Lei, e os vilões como os bandidos, os atos do personagem de Hackman se diferenciam de tudo.

   Ao homenagear seus mentores no cinema, Sergio Leone e Don Siegel, Clint Eastwood fez um dos melhores filmes de faroeste de todos os tempos. O realismo em cada quadro mostra ao espectador como o crime e a justiça funcionavam naquela época, sem a ótica fantástica de Hollywoody. O filme foi indicado a nove Óscars e ganhou quatro (Melhor Diretor, Melhor Filme, Gene Hackman como Melhor Ator Coadjuvante, e Melhor Montagem) todos mais do que merecidos. Em seu desfecho, a indiferença criada por Eastwood, com seu personagem e a sua direção, é a mais prazerosa já vista em um Western.

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