O Western (nós
conhecemos como Faroeste) é um dos gêneros mais antigos do cinema.
Baseado nas
histórias dos antepassados norte-americanos nos anos 1800 são milhares de
filmes. Estes serviram até de inspiração para os cineastas na Europa, os inventores
do cinema, que tentaram pegar uma carona no enorme sucesso dos filmes
americanos. Nomes como o de John Wayne (um dos maiores atores de Westerns de
todos os tempos) logo vem à memória de qualquer um fã do gênero. Mas quem fez
uma obra prima no gênero foi Clint Eastwood, atuando e dirigindo Os
Imperdoáveis.
O filme conta a
história de Bill Munny (Clint Eastwood), um pistoleiro aposentado que volta a
ativa quando lhe oferecem 1000 dólares para matar os homens que cortaram o
rosto de uma prostituta. Acompanhado por dois outros pistoleiros, eles precisam
enfrentar não só o bando dos bandidos, como também a fúria de um Xerife (Gene
Hackman) que não deseja tumulto em sua cidade.
Atuando e
dirigindo o filme, Clint Eastwood leva o realismo em primeiro lugar na sua
direção. O filme começa com um pequeno resumo em texto contando como toda a
história chega até ali. Isso mostra o descompromisso do longa com as partes
boas das coisas. Vai direto ao ponto, mostrando de cara a "ferida
aberta" do personagem principal. Esse tipo de abordagem é diferente de
muitos Westerns feitos em outrora. E por se basear nesse tipo de abordagem, Eastwood
mostra em os Imperdoáveis a realidade por trás das crueldades daquele tempo,
onde nem sempre existem vilões e mocinhos e sim, seres humanos imperfeitos,
capazes de cumprirem, sem se afetar, qualquer um dos papéis. O fato de relatar a
vida verdadeiramente como ela era naquele tempo, separa Os Imperdoáveis
daquelas aventuras fantásticas dos Westerns dos anos 40 e 50, ao mesmo tempo em
que homenageia todo o seguimento recheando o filme de referencias. O escritor W.W.
Beauchamp (interpretado por Saul Rubinek) que segue o assassino inglês (Richard
Harris) é a maior referência ao gênero no filme, cumpre o papel do espectador,
que está descobrindo com os seus próprios olhos como tudo realmente acontece.
Os atores estão nas suas melhores formas, com Gene Hackman como destaque. O
espectador por diversas vezes pode duvidar das atitudes do xerife como certo ou
errado. Em um gênero acostumado a ver o mocinho como a Lei, e os vilões como os
bandidos, os atos do personagem de Hackman se diferenciam de tudo.
Ao homenagear seus
mentores no cinema, Sergio Leone e Don Siegel, Clint Eastwood fez um dos
melhores filmes de faroeste de todos os tempos. O realismo em cada quadro
mostra ao espectador como o crime e a justiça funcionavam naquela época, sem a
ótica fantástica de Hollywoody. O filme foi indicado a nove Óscars e ganhou quatro
(Melhor Diretor, Melhor Filme, Gene Hackman como Melhor Ator Coadjuvante, e
Melhor Montagem) todos mais do que merecidos. Em seu desfecho, a indiferença
criada por Eastwood, com seu personagem e a sua direção, é a mais prazerosa já
vista em um Western.









.jpg)
.jpg)


.jpg)

.jpg)