O fato de o
Mensalão ter entrado para a história como o maior esquema de corrupção
parlamentar do Brasil não é pra menos.
Nunca se viu um esquema tão nojento e manipulatório
em terras tupiniquins (quem sabe até no mundo). Foram mais de R$ 350 milhões de
reais (de acordo com dados do ano passado) desviados dos cofres públicos a
caminho dos bolsos de parlamentares desonestos. Relatos sobre todo o esquema e
suas consequências já foram amplamente abordadas por revistas, jornais, rádio e
TV. Mas, quem conseguiu ser mais abrangente por todos os meandros do esquema (desde
a história do crime até os bastidores do julgamento e sua conclusão) foi Marco Antônio
Villa e seu livro: Mensalão – O Julgamento do Maior Caso de Corrupção da
História Brasileira.
O desenrolar do
escândalo e o julgamento dos envolvidos no maior caso de corrupção da história
política brasileira. O ano era 2005. E o governo de Luís Inácio Lula da Silva.
No dia 15 de maio, o povo brasileiro descobriu um novo jargão: “mensalão”. Um
vídeo amador vazou na mídia mostrando Mauricio Marinho, um alto funcionário dos
Correios, recebendo propina em troca de favorecimento político, que segundo
ele, era coordenado pelo até então deputado federal, pelo PTB, Roberto
Jefferson. Este, um show man de primeira linha, conseguiu reverter o quadro, e
de facilitador do esquema, virou um defensor da justiça e denunciou os
envolvidos numa rede de pagamentos de mesadas em troca de apoio político, que
segundo ele, partia de homens fortes ligados ao presidente Lula. Entravam na
dança José Dirceu, ministro da Casa Civil e braço direito do presidente, José
Genuíno, presidente nacional do PT, Delúbio Soares, tesoureiro do partido e
Marcos Valério, um publicitário que aparentemente era o homem do dinheiro do
esquema. Depois de anos de discursos inflamados, discussões, cassações, choro e
desabafo, finalmente essa história chegou ao fim. Os principais envolvidos no “projeto
criminoso de poder, de ‘macrodelinquência governamental’”, nas palavras do
decano do STF, o ministro Celso de Mello, foram condenados. Venceu a ética e a
democracia. E perderam os mensaleiros e corruptos.
O autor segue uma
linha de raciocínio que abrange desde como tudo começou a ser descoberto até o
momento em que os acusados foram julgados. O modo como Villa conta como tudo
funcionou é o mais claro possível, com direito até a uma divisão por dias em
que a nação começou a tomar conhecimento de tudo. A partir daí, Villa entra no
julgamento em si, mostrando resumidamente as peças dos advogados de defesa e as
decisões dos ministros, sem perder a coesão necessária para tais relatos e
deixando de fácil compreensão para qualquer um. O autor esclarece os fatos com
uma clareza peculiar, como se estivesse conversando com o leitor em uma mesa de
bar. Villa ainda inclui no pacote (com toda certeza a melhor parte do livro) os
bastidores de tudo isso. As idas dos ministros e dos acusados ao restaurante preferido
do reduto político na capital brasileira (Piantella), entre outros, até o
relato de testemunhas que presenciaram as bebedeiras, o estranho set list e os
comentários aferidos naquelas noites entre eles ou por telefone. O próprio
Villa, bem inserido nesses meios como todo bom jornalista deve ser, presenciou alguns
desses momentos atestando a veracidade
de cada informação.
Ao final, o autor
demonstra um prazer de dever cumprido ao saber que os malfeitores iriam, pela
primeira vez em nosso país, para a cadeia. Sem saber ele que as falhas na
justiça em no Brasil poderiam solta-los em pouco tempo. Agora, cabe a toda
nação não permitir a entrada de pessoas como essas no comando do nosso país. O
esquema do Mensalão enriqueceu tantos os bolsos dos bandidos envolvidos quanto
o livro de Villa enriquece o conhecimento de qualquer leitor sobre crimes na
política em geral.










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