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03/08/2014

Dica Livro: Mensalão - O Julgamento do Maior caso de Corrupção da História Política Brasileira


   O fato de o Mensalão ter entrado para a história como o maior esquema de corrupção parlamentar do Brasil não é pra menos.
 Nunca se viu um esquema tão nojento e manipulatório em terras tupiniquins (quem sabe até no mundo). Foram mais de R$ 350 milhões de reais (de acordo com dados do ano passado) desviados dos cofres públicos a caminho dos bolsos de parlamentares desonestos. Relatos sobre todo o esquema e suas consequências já foram amplamente abordadas por revistas, jornais, rádio e TV. Mas, quem conseguiu ser mais abrangente por todos os meandros do esquema (desde a história do crime até os bastidores do julgamento e sua conclusão) foi Marco Antônio Villa e seu livro: Mensalão – O Julgamento do Maior Caso de Corrupção da História Brasileira.
   O desenrolar do escândalo e o julgamento dos envolvidos no maior caso de corrupção da história política brasileira. O ano era 2005. E o governo de Luís Inácio Lula da Silva. No dia 15 de maio, o povo brasileiro descobriu um novo jargão: “mensalão”. Um vídeo amador vazou na mídia mostrando Mauricio Marinho, um alto funcionário dos Correios, recebendo propina em troca de favorecimento político, que segundo ele, era coordenado pelo até então deputado federal, pelo PTB, Roberto Jefferson. Este, um show man de primeira linha, conseguiu reverter o quadro, e de facilitador do esquema, virou um defensor da justiça e denunciou os envolvidos numa rede de pagamentos de mesadas em troca de apoio político, que segundo ele, partia de homens fortes ligados ao presidente Lula. Entravam na dança José Dirceu, ministro da Casa Civil e braço direito do presidente, José Genuíno, presidente nacional do PT, Delúbio Soares, tesoureiro do partido e Marcos Valério, um publicitário que aparentemente era o homem do dinheiro do esquema. Depois de anos de discursos inflamados, discussões, cassações, choro e desabafo, finalmente essa história chegou ao fim. Os principais envolvidos no “projeto criminoso de poder, de ‘macrodelinquência governamental’”, nas palavras do decano do STF, o ministro Celso de Mello, foram condenados. Venceu a ética e a democracia. E perderam os mensaleiros e corruptos.
   O autor segue uma linha de raciocínio que abrange desde como tudo começou a ser descoberto até o momento em que os acusados foram julgados. O modo como Villa conta como tudo funcionou é o mais claro possível, com direito até a uma divisão por dias em que a nação começou a tomar conhecimento de tudo. A partir daí, Villa entra no julgamento em si, mostrando resumidamente as peças dos advogados de defesa e as decisões dos ministros, sem perder a coesão necessária para tais relatos e deixando de fácil compreensão para qualquer um. O autor esclarece os fatos com uma clareza peculiar, como se estivesse conversando com o leitor em uma mesa de bar. Villa ainda inclui no pacote (com toda certeza a melhor parte do livro) os bastidores de tudo isso. As idas dos ministros e dos acusados ao restaurante preferido do reduto político na capital brasileira (Piantella), entre outros, até o relato de testemunhas que presenciaram as bebedeiras, o estranho set list e os comentários aferidos naquelas noites entre eles ou por telefone. O próprio Villa, bem inserido nesses meios como todo bom jornalista deve ser, presenciou alguns desses momentos  atestando a veracidade de cada informação.

   Ao final, o autor demonstra um prazer de dever cumprido ao saber que os malfeitores iriam, pela primeira vez em nosso país, para a cadeia. Sem saber ele que as falhas na justiça em no Brasil poderiam solta-los em pouco tempo. Agora, cabe a toda nação não permitir a entrada de pessoas como essas no comando do nosso país. O esquema do Mensalão enriqueceu tantos os bolsos dos bandidos envolvidos quanto o livro de Villa enriquece o conhecimento de qualquer leitor sobre crimes na política em geral.

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